Capítulo 2 da Série: Como as tecnologias de tradução e legendagem podem mudar as nossas vidas
No capítulo anterior, apresentei um pouco sobre a importância dos animes para o meu desenvolvimento como pessoa, sonhadora e artista da palavra (inventando essa expressão para evitar me chamar de escritora, coisas que só Freud explica rs). Nele, expliquei como isso foi possível por meio das tecnologias de tradução e legendagem. Para aumentar esse caldo, que espero que quem me leia usufrua com prazer e faça o seu próprio, quero contar sobre a minha primeira vez no cinema e sobre um filme que moveu meus interesses e ampliou minha visão de mundo.
O ano era 2005 (ou 2006, não tenho certeza). Eu tinha 15 anos e cursava o ensino médio no Castelinho, nome que não condizia em absoluto com o formato ou com as condições da escola, que era estadual. Acredito que o apelido fizesse referência ao fato de o edifício estar localizado em uma região mais alta do bairro, mas isso é apenas uma suposição e, confesso, nunca tive interesse em entender o porquê.
Retomando o foco da minha narrativa, foi durante o ensino médio que conheci o professor Carlos, formado em filosofia em uma faculdade que ficava, curiosamente, em São Carlos (e isso é tudo o que me lembro). Ele foi mais um herói sem capa da minha juventude. Em suas aulas de filosofia, tive acesso a um sem-fim de reflexões e ao conceito de “senso crítico”, que é muito diferente de apenas ter uma opinião particular sobre algo.
Quando expressamos uma ideia que parte apenas da nossa experiência ou do que ouvimos dizer, sem comparação de dados, evidências, análise minuciosa dos contextos ou questionamentos, estamos muito mais enquadrados no senso comum (que tem sua importância, mas pode incorrer em diversos preconceitos e inverdades). Com essa ferramenta sendo lapidada nas aulas do professor Carlos, foi organizada, sob a mediação dele, uma ida ao anfiteatro do CEU Jambeiro, primeiro Centro Educacional Unificado da cidade de São Paulo, um marco histórico para o nosso bairro, rodeado de precariedade.
No espaço, adaptado tanto para receber trupes teatrais quanto projeções de cinema, muitos de nós vimos, pela primeira vez, um filme em tela gigante. Esse foi o meu caso. Uma experiência completamente distinta daquelas às quais eu estava acostumada. Em vez de uma televisão cuja antena precisava de esponja de aço para chiar menos e oferecer uma imagem menos pixelada (muito barulho e pouco espaço), eu estava adentrando um universo completamente mágico e inexplicável, que se tornou um dos meus lugares favoritos do mundo. Ali havia silêncio, escuridão, som e imagem perfeitos, onde vivi a história de um jeito profundo e inesquecível.
A obra escolhida foi “O Pianista”, baseada na autobiografia do polonês Wladyslaw Szpilman, e que se tornou uma das minhas produções audiovisuais favoritas. Ainda que o que se tenha assistido houvesse sido muito trágico e cruel, pois conta todo o percalço do personagem judeu durante o Holocausto, foi enriquecedor, para mim, ter acesso à história da Segunda Guerra Mundial de outra maneira. O que copiávamos na lousa e “decorávamos” para a avaliação tomou novos contornos, ganhou vida e ficou preso de outra forma na memória. As cenas mexeram comigo de um jeito avassalador: chorei copiosamente em quase todo o filme. Descobri como era possível sofrer, com o corpo, por pessoas não conhecidas, tampouco amigas ou familiares, mas que poderiam ser, porque eram, acima de tudo, pessoas.
Essa expansão de perspectiva, como dito no começo deste texto, mudou a minha vida e teve como principais agentes, além do meu professor e da estrutura do CEU Jambeiro, os tradutores. Com o trabalho deles, pude acompanhar as legendas de uma narrativa extraordinária, que encheu minha bagagem para outra experiência que eu jamais pensei que vivenciaria. Em 2017, graças à bolsa mérito da Universidade de São Paulo, realizei um intercâmbio para a Europa, para estudar disciplinas que envolviam literatura, cinema, cultura e arte, e tive a oportunidade de conhecer de perto os cenários onde “O Pianista” foi gravado, em Varsóvia. Mais do que isso: onde essa história de fato aconteceu. Uma cidade que teve mais de 80% de seu território devastado pela guerra e que se reconstruiu, a despeito de toda dor e perda. Novamente, uma narrativa enriquecida com o papel fundamental de guias tradutores.
É nesse ponto que volto a falar sobre a Skylar, que busca aperfeiçoar ainda mais essa atividade, possibilitando, de modo descomplicado, que diversas histórias, narrativas e informações sejam compartilhadas em aulas de MBA, apresentações corporativas, eventos e muito mais. Conheça o trabalho incrível deles e faça seu empreendimento alcançar novos públicos e espaços.





